domingo, outubro 08, 2006

Cotação final do Festival!

Mostras Principais:

- Excelentes! (Os melhores com absoluta certeza.)

1 – O Grito das Formigas

2 – Todos os Dias Antes de Amanhã

3 – Marcello, la dolce vita

- Bons! (Com pontos de interesse específicos. Posições meio arbitrarias a partir daqui.)

4 – 2:37 (cópia de Elefante, mas com uma verdade muito mais pessoal)

5 – Os Anjos Exterminadores (o que somos)

6 – A Fonte da Vida (simples demais, mas bonito do mesmo jeito)

7 – Paris, eu te amo (os irmãos Cohen e Tom Tykwer)

8 – Impaled [dentro de Destricted] (antropologicamente, bem interessante)

- Decentes! (Entretenimento.)

9 – The Host

10 – Xifópagos e Roqueiros

11 – Caindo de Amor

12 – Totalmente Pessoal (posição ambígua, parte de mim quer subir esse para os bons)

13 – TV Junkie

- Suficientes! (Dá para passar o tempo. Todos no mesmo nível.)

14 – A Scanner Darkly

15 – Madeinusa

16 – Proibido Proibir

17 – Deita Comigo

18 – 100 Escovadas Antes de Dormir

19 – Efectus Secundarius

20 – Os 20 minutos de Laberinto del Fauno com os faunos (estaria nos bons, caso não fosse o resto)

- Perda de Tempo (ou fazem dormir, ou são uma repetição sem nada novo a apresentar)

20 – O resto de Laberinto del Fauno

21 – Dália Negra

22 – O Sarcófago Macabro

23 – A Vida Secreta das Pessoas Felizes

24 – O Céu de Suely

25 – Men at Work (promete e não entrega)

26 – Coração, Batendo no Escuro (é uma bagunça)

27 – Sonhos e Desejos

Mostras Retrospectiva: (Todos excelentes!)

1 – A Montanha Sagrada

2 – Fando y Lis

3 – Uma Canção de Amor

4 – A Nave dos Monstros

Ps.: Próxima semana, depois de um descanso necessário, uma analise geral do festival!

Festival do Rio: 04-06/10/2006

Festival do Rio: 04/10/2006

-The Host (Gwoemul) de Joon-ho Bong

Um blockbuster sul coreano! Literalmente, um quarteirão é arrasado no início do filme. A Coréia do Sul está facilmente se tornado a nova Hollywood da década de 1970, com uma potência que nem a China, nem o Japão, parecem poder alcançar. Nesse aspecto, diria que o Irã é certamente a nova Europa.

Minha expectativa sobre a trama de uma família que tem de lidar com um monstro do lago foi totalmente sobrepujada por esse filme, que apesar de se tornar um pouco lento no meio (primeiro filme há um bom tempo, em que pedi mais ação e menos desenvolvimento de personagens), consegue se manter interessante até o final.

-Madeinusa de Claudia Llosa

Imagino se não fui o único a não notar antes do filme que o nome da personagem principal vem de “Made in Usa”.

Antropologicamente interessante! É a história da vida numa cidade do interior do Peru durante uma festa religiosa. Nada muito marcante, mas diferente. O que me faz imaginar, o âmbito de interesse que um estrangeiro possa ter vendo um filme como o Céu de Suely, o qual não tive em absoluto. Porém, não tenho certeza que a comparação seja possível, pois os índios peruanos desse filme me pareceram ter uma originalidade, que as pessoas retratadas em Céu de Suely não têm. Os primeiros sofrem de uma globalização muito mais antiga e complexa, enquanto os segundos, de uma recente, e possivelmente encontrada em qualquer lugar do mundo.

Festival do Rio: 05/10/2006

-Fando y Lis de Alejandro Jodorowsky

“This is cinema!” dito em um inglês bem arranhado, estilo Jodorowsky em Montanha Sagrada. Segundo filme do diretor, primeiro longa. Baseado numa peça de Fernando Arrabal, que além de dramaturgo, também é cineasta, e acabou de entrar na minha lista de procura. Ótimo, perfeito, como todos os outros do diretor.

Qualquer comentário sobre esse filme é único, pois cada um pode lhe atribuir uma interpretação diferente, e não só de toda a história em sua plenitude, mas de cada cena. Todo cinema deveria ser assim! Este filme é uma prova do que se pode fazer com um baixo orçamento.

A trama principal é a busca de dois jovens pela última cidade, Tar, cujo caminho existe desde que acreditem nele. Acompanhamos Fando e Lis, um casal perdido num mundo, obviamente patriarcal. Fando é o homem, dele vem todo o poder de decisão e ação, ele a tudo controla. É o garoto a que tudo foi prometido. Lis, por sua vez, é o que sobrou de uma mulher nesse mundo, é um objeto, uma criatura aleijada, totalmente dependente de Fando, que tem poder de vida e morte sobre ela. É a garotinha abusada pelos velhos que lhe prometeram um espetáculo. Assim, na verdade, a busca é só de Fando, que carrega seus objetos em seu carrinho: uma vitrola, um tambor e Lis. Ele, fugido das ruínas de uma cidade decadente, capitalista, cujos habitantes só fazem por usá-lo e nada lhe oferecem, segue pelo deserto de pedra, buscando a vida perfeita em Tar, esperando ver a cada segundo vales tomados de flores e caindo a ataques violentos, quando só a realidade se apresenta. Pelo caminho, Fando tem de passar por tudo aquilo que fez dele o que é, toda a constituição desse mundo patriarcal, realmente construído por mulheres. Passando, então, desdo velho doido que adora a matriarca pré-histórica, aos travestis que querem ser mulheres, e por fim, à mãe que come a alma do pai, que, por sua vez, só quer ser dominado por mulheres que querem ser homens.

-Os Anjos Exterminadores de Jean-Claude Brisseau

Um diretor quer gravar um momento de orgasmo feminino provocado pelo proibido, pela ação perante a inibição. E, assim, tem de buscar atrizes, que não sendo de filme pornô, aceitem o papel e tragam suas próprias experiências a história.

Um interessante estudo do comportamento humano, que em erotismo se sobressai completamente a filmes que pretensamente se dizem ser, como Destricted.

-Marcello, la dolce vita de Mario Canale e Annarosa Morri

Um ótimo documentário contando a vida de um ótimo ator. Mastroianni, o homem que amava o telefone!

-Fonte da Vida (The Fountain) de Darren Aronofsky

Um divisor de águas? Não. Amado? Não. Odiado? Não. Bom e belo? Sim. Complexo? Nem tanto. Devo confessar que minha expectativa sobre esse filme era mais baseada na de outros, que na minha. Vi o Réquiem para um Sonho, gostei, mas mal notei o nome do diretor, não vi nada demais. Depois, vi Pi, achei interessante, diferente, complexo, mas este pouco me marcou e pouco me deixou interessado em repetir a dose.

O filme é belo e profundo, mas sua profundidade é rasa, e só se baseia em uma idéia, a fonte da vida, a imortalidade, apresentada superficialmente num aspecto simples que pouco necessita de duas horas de filme para ser demonstrada. As seqüências na árvore da vida, na nebulosa, podem impressionar alguns, mas são brincadeira de criança, para aqueles que tenham experiência em histórias de quadrinho européias.

A história é a busca de um homem para manter sua amada viva e se passa em três tempos: no passado, durante a invasão européia na América, em que o homem busca a fonte da vida nas terras maias para salvar a rainha da Espanha, o que só é uma narração de um livro escrito no presente pela amada; no presente, em que o homem tenta encontrar desesperadamente uma cura para o câncer que devora lentamente sua amada; e no futuro; com o homem já na árvore da vida, a caminho da terra dos mortos, a lembrar de sua amada, o que pode tanto ser a única verdadeira realidade, tanto ser o último capítulo do livro da mulher.

Qual é a fonte da vida? Qual é a fonte da única e verdadeira imortalidade? O amor, o amor dele por ela, o amor dela por ele. O filme é a busca do protagonista por esse entendimento em face da morte, que bem explora o desespero dessa busca, mas pouco diz do dia seguinte.

Festival do Rio: 06/10/2006 (Maratona Odeon)

- A Scanner Darkly de Richard Linklater

Vale mais pela atuação de Robert Downey Jr. que qualquer outra coisa. Não necessariamente pela atuação em si, mas por ele se divertindo fazendo o papel. Claro que Keanu Reeves como um drogado meio catatônico também convence perfeitamente, como sempre convenceu em todos os outros filmes que ele fez.

Não vi Walking Life, gostei dos Antes do Por do sol e do Amanhecer, mas achei, como neste, as conversas um pouco vazias. O efeito de animação também me pareceu mais um fetiche que uma necessidade. Por fim, é um bom entretenimento, e a história de um homem que é obrigado a investigar a própria vida, escrita por Philip K. Dick, também vale a pena.

-Xifópagos e Roqueiros (Brothers of the Head) de Keith Fullon e Louis Pepe

Um filme documentário que narra o boom do rock comercial na década de 1970, através da exploração de dois irmãos unidos pela barriga. Muito bem dirigido, a narração documental realmente convence. Um bom entretenimento!

-A Montanha Sagrada de Alejandro Jodorowsky

Vendo uma segunda vez!

“This is cinema!”

Comentário cinematográfico do dia.

Recentes experiências me fizeram ver que a vida não é, como pensava, uma narrativa clássica francesa, mas sim, é um filme de Wong Kar Wai. O que, mesmo com a ótima música, não é a coisa mais saudável do mundo.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Festival do Rio: 02-03/10/2006

Festival do Rio: 02/10/2006

-Coração, Batendo no Escuro de Yamiutsu Shinzo

Dormi na sessão e culpo o filme! É um remake de um antigo filme japonês, que usa uma metalingüística de apresentar a idéia de fazer o remake e sua produção com o próprio. Construindo uma relação entre os atores do original e os do novo. Apresentar os atores principais tanto fora, como dentro de seus papeis, mata qualquer conexão que o espectador poderia desenvolver com seus personagens. Algumas cenas chegam até a ser interessantes, mas pouco sustentam a bagunça impessoal que é o resto do filme.

Queria preencher minha cota japonesa no festival com filmes como O Gosto do Chá de Katshuhito Ishii de 2005 e Água-viva de Kiyoshi Kurosawa de 2004. E não com um troço como esse!

-Proibido Proibir de Jorge Duran

É... bom. Certamente é um entretenimento, digamos, bem comercial. É... tem uma história que se sustenta e os personagens são bem construídos. É... definitivamente melhor que O Céu de Suely e Sonhos e Desejos. É... este mês o CCBB vai estar passando A Concepção de José Eduardo Belmonte e Cinema, Aspirinas e Urubus de Marcelo Gomes, definitivamente os dois são melhores que qualquer um desses outros.

-O Sarcófago Macabro de Ivan Cardoso

Quero meus R$6,20 de volta! Queria ver um filme de terror barato e recebi uma montagem de filmes nazistas da segunda guerra com o antigo filme de múmia do diretor. O único material novo nisso tudo, são algumas inserções com refugos das pornochanchadas que explicam o filme. Em resumo, não é engraçado, não é interessante, não é nada, nem tem fim, o fim é a promessa de um filme decente algum dia. Preferia ver um filme trash com R$1,00 de orçamento, tipo O Monstro da Bala Halls vs. o Tio da Tapioca, que esse troço.

Festival do Rio: 03/10/2006

-Destricted de Vários

Impaled de Larry Clark é o que faz valer este filme. Um pequeno documentário, em que o próprio diretor entrevista vários jovens para fazer um filme pornô, para depois, o escolhido entrevistar várias atrizes pornô e escolher uma para realizar o filme. O único com uma face humana no pacote. O resto não merece comentário, só a pergunta se essa gente sequer têm a mínima idéia do significado da palavra erótico.

-2:37 de Murali K. Thalluri

Melhor que Elefante de Gus Vant Sant? É... não!? 2:37 aproveita muito da estética de Elefante, mas não a copia por completo, acabando por ser mais interessante, no seu caráter semi-documental. Elefante é uma experiência diferente, única, mas 2:37 tem mais conteúdo e é um maior entretenimento.

Como em Elefante, a câmera acompanha um grupo de jovens num dia de escola, simultaneamente, sem uma cronologia narrativa fixa. Porém, adiciona comentários dos próprios estudantes, em estilo documentário: close-up em tela preto-e-branco. A trama acompanha esses estudantes com seus vários problemas, e tudo culmina para um suicídio no final.

2:37, por fim, como é explicado desnecessariamente no final, é sobre pessoas que se perdem em seus próprios problemas e se cegam para as que estão ao seu redor.

-Efectus Secundarius de Issa López

Novo episódio do Friends mexicano. É divertido, serve como um entretenimento rápido, tem até uma estrutura estética interessante, mas em conteúdo é um vazio completo. As conclusões finais mais parecem uma nota de rodapé estilo “estamos todos bem” de uma decadente sociedade capitalista. Se você acredita que a vida se baseia em encontrar alguém para criar a próxima geração de escravos, trabalhar e consumir objetos, este é o seu filme! Tipo, nada disso tem nesse filme, mas ele certamente é o meio termo para isso.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Festival do Rio: 01/10/2006

-Todos os Dias Antes de Amanhã (All the Days Before Tomorrow) de François Dompierre

“O grito das Formigas”, criticado por todos; “Paris, Eu te amo”, saiu no jornal, diretores famosos, obviamente amado por todos com uma excitação instintiva; e agora este filme, que faz sua estréia mundial aqui. Não esquecendo de mencionar os clássicos: “A Montanha Sagrada” e “A Nave dos Monstros”.

François Dompierre faz sua estréia com um filme quase perfeito, uma história de amor, de memória. Ótima estrutura, belas imagens, excelente música. Um filme que viaja pela essência deste início de século, capturando todos seus aspectos temporais e de indecisão, a pairar por seus dois únicos protagonistas: Wes, o rapaz que lembra e pouco faz, e Alison, a garota que é lembrada; tudo acompanhado pelos comentários do Doutor, nos sonhos monocromáticos de Wes.

Wes acorda uma noite com uma ligação de Alison, uma antiga amiga, e nada mais, que voltara a cidade. Ela vai embora na manhã seguinte e quer vê-lo. Eles têm essa única noite para lembrar seu passado, todos os dias anteriores do amanhã, da nova partida. À dois verões, eles se conheceram, à um verão, viajaram pelo deserto. Os dois foram felizes juntos, mas sempre houve pairando no ar uma pergunta por algo mais. Uma pergunta que Alison acaba por responder sozinha, em muito, mais em resposta a inação de Wes, que da verdadeira pergunta, já que ele só se atreve a se questionar em seus sonhos, com a ajuda do Doutor. Wes precisa do tempo para descobrir que não há tempo. Entende que com Alison se encontra no atemporal, mas nada faz para construir a eternidade, para finalmente voar. No fim, mais uma vez o tempo dá a resposta, a neve cai.

Pergunta para quem viu: onde se encaixa a cena da festa quase no final? Perdi-me um pouco nessa hora, é de um dia depois do amanhã?

-A Vida Secreta das Pessoas Felizes de Stéphane Lapointe

Obviamente, não entendi o título. Quando li o nome “a vida secreta das pessoas felizes” e a sinopse, imaginei um rapaz melancólico explorando como seria a vida dessas estranhas criaturas chamadas felizes. Imaginei pessoas realmente felizes, e não só aquelas segundo o diário oficial da mídia. Imaginei algo original, e não uma história banal que pretende revelar as verdades de pessoas falsamente alegres, que ruem aos poucos por dentro de uma frágil casca. Imaginei algo novo, e não exatamente igual aos quatrocentos mil outros filmes feitos sobre o mesmo tema. Enganei-me.

Um detalhe antropológico, um filme canadense francês (e nisso me baseio nesse, nas Invasões Bárbaras e em alguns outros), tem toda a diferença de um filme canadense inglês, pois sofre de todas as limitações de uma clássica narrativa francesa, que já se faziam pesadas em clássicos como o Boulevard do Crime de 60 anos atrás. Falta um espírito protestante a ter a coragem de tentar algo novo, e não só mais uma história banal que parece tentar se sustentar na dramaticidade dos atores.

Saindo um pouco mais do filme, por que fazer uma cara triste na tela é considerado uma boa atuação? Por que um ator passando por três ou quatro estados emocionais em alguns segundos é considerado algo notável? Posso treinar um chimpanzé para fazer a mesma coisa, e ele não vai ganhar nenhum Oscar. Digo isso, só para falar que um filme não pode se basear só numa história para enfatizar a atuação dos atores sobre certos aspectos.

-Men at Work de Mani Haghighi

É muita ingenuidade minha, ou preconceito, esperar que um filme iraniano sobre um grupo de homens empurrando uma pedra seja profundo? Esperar que eles fiquem falando sem parar sobre aspectos misteriosos e interessantes da vida, e não sobre quem vai ou não se casar, quem é legal ou chato no trabalho e futebol? É demais esperar isso? É?

Festival do Rio: 29-30/09/2006

Festival do Rio: 29/09/2006

-A Nave dos Monstros de Rogelio A. González (1960)

Um clássico, definitivamente um clássico que marcou, marca e continuará a marcar a humanidade que têm a chance de o ver. Ouro perdido, visto por acidente, pela greve na Caixa. Uma ficção científica de horror, com um cowboy cantando a cada 20 minutos. Rogelio A. González um nome a lembrar, diretor também de dois entre os cem melhores filmes mexicanos: O esqueleto da Senhora Morales (1959) e Escola de Vagabundos (1954).

Todos os homens de Vênus morrem, e duas mulheres venusianas são enviadas numa missão pelo espaço de recolher machos, com a ajuda de um robô. Após seqüestrarem vários monstros de vários planetas, chegam a Terra e conhecem um cowboy cantante a cavalgar sobre seu burro, que acaba por ensinar-lhes sobre o amor. Porém, numa reviravolta inesperada, uma delas se torna uma vampira e decide dominar o mundo, recrutando para seu objetivo os monstros mais poderosos da galáxia. Personagens reais, carismáticos, monstros que têm sonhos de liberdade, que têm verdadeiros desejos, uma trama envolvente, que deve ser vista!

-Santo Vs A Invasão Marciana de Alfredo B. Crevenna (1966)

Marcianos aparecem, você ri por 5 segundos! Santo el Enmascarado del Plata aparece, você ri por 2 segundos! Santo começa a lutar interminavelmente contra os marcianos, você se pergunta o que está fazendo ali. Conseguiu apagar rapidamente a chama acessa pelo filme anterior pela cinematográfica mexicana!

Festival do Rio: 30/09/2006

-Paris, Eu te Amo (Paris, Je t’Aime) de 18 diretores diferentes

Ótima compilação de curtas histórias de amor em Paris. Com nota máxima para o dos irmãos Cohen, engraçado e marcante, sobre o sorriso da Monalisa no metrô da cidade; para o de Tom Tykwer, de Corra, Lola corra!, uma bela história que resume a relação de um cego e uma atriz; e para o de Alexander Payne, de Sideways, sobre uma americana decadente narrando num francês forçado sua viagem a Paris. O resto mantêm um nível de interesse consistente, que faz o ritmo do filme correr constante, como os de Isabel Coiex, homem pretende deixar a mulher até que descobre que ela está doente, e de Alfonso Cuarón, velho e jovem discutem seus planos e preocupação sobre a reação de outro homem. Alguns comentários extras: o de Gus Vant Sant mais parece um comercial de perfume sem perfume que qualquer outra coisa, apesar de gostar de comerciais de perfume; e o de Walter Salles transborda de originalidade, sendo da América Latina obviamente faz um filme sobre uma empregada latina.

-Totalmente Pessoal (Sasvim Licno) de Nedzad Begovic

Filme caseiro bósnio que acompanha a vida e os interesses do diretor. Os 10 primeiros minutos são de fotos acompanhadas da narração do diretor sobre a sua vida, você rapidamente pensa em dormir ou ir embora. Mas aí, o diretor aparece e explica como o primeiro corte do filme é um lixo e como foi motivado pelos amigos a fazer algo melhor. Segue-se então algo totalmente pessoal: homenagem a Fellini, filhas cantando sobre bombons, comercial da coca-cola, narizes, a guerra entre os que queriam que o prédio do correio fosse sérvio e os que queriam que fosse só o prédio do correio, a câmara com que ele filma tudo, a publicidade da Nick na nuca da mulher, a vida como ela deveria ser narrada, ... Não é um clássico, mas é cem vezes melhor que qualquer Dália Negra, e é cem mil vezes preferível que o mercado estivesse abundando de filmes como este que de milhares como o Dália Negra, seria ótimo se diretores como Brian de Palma fizessem filmes totalmente pessoais!

-El Laberinto del Fauno de Guilhermo del Toro

Um belo conto de fadas sombrio sobre uma garota que descobre ser a reencarnação de uma princesa de um mundo mágico, o mundo dos faunos. Interessantes personagens em intrigantes cenários, numa simples, mas eficiente história. Um ótimo filme de 20 minutos, que por algum motivo foi enfiado dentro de um drama barato de 2 horas. Uma tortura entediante sobre a guerra civil espanhola que abusa de clichês e personagens estereotipados. São décadas e décadas de general mau contra revolucionários bons, que não valem pelos poucos segundos de garota correndo pelo mundo fantástico.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Festival do Rio: 26-28/09/2006

Festival do Rio: 26/09/2006

-Caindo de Amor (Legature Bolnavicioase) de Tudor Giurgio

Ótima história, ótimo desenvolvimento de personagens, ótima atuação. O que falta? O diretor. Não há qualquer marca de estilo estético na direção, ele só acompanha perfeitamente esses três aspectos citados e não contribui em mais nada. A composição de tela é quase nula.

A história é a de duas garotas que se apaixonam, sendo que uma tem um forte caso com o irmão e não sabe que direção tomar sobre isso, e a outra, vinda do interior, está tentando se adaptar a vida na cidade. As duas estão perdidas, incertas, mas conseguem encontrar a certeza do agora, uma na outra. Porém, a confusão do passado acaba por conspirar contra elas. Detalhe extra, cena imoral: garota fura as orelhas para se adaptar a estética da cidade, doentio.

-O Inocente de Luchino Visconti

Pensamento recorrente durante a sessão: “O que estou fazendo aqui?”. Perfeitos cenários da aristocracia, ótimos enquadramentos, belas imagens. E longas cenas, cuja trama poderia muito bem ter sido escrita num guardanapo. Neo-realismo, mas que realidade chata! Não tenho o mínimo interesse em fazer um tratado antropológico sobre a aristocracia italiana. Se quero ver longas cenas em que pouco acontece, quero conteúdo, quero um neo-realismo de conteúdo, quero Tarkovisky. O filme arrebentou na metade, fui embora.

Festival do Rio: 27/09/2006

-Dália Negra de Brian de Palma

Que bela construção cinematográfica! Brian de Palma chegou ao pico da excelência na direção. Que pena que o filme é tão banal, tão vazio. Mal consegui acompanhar o mistério, de tão entediado que estava. Quando darão um papel decente de novo a Scarlett Johanson?

-A Montanha Sagrada de Alejandro Jodorowsky

Perdi 20 minutos de filme. Que crime! Segundo filme decente do festival e perco o início. Como o filme de Makhmalbaf, já sabia o que esperar de Jodorowsky, tanto por El Topo, tanto pela leitura de Incal e Metabarons. Uma saturação de metáforas muito bem colocadas, com uma real direção.

A história: um ladrão em busca de ouro sobe a torre de uma alquimista, que acaba por lhe oferecer o segredo da imortalidade. Assim, acompanhado pelas pessoas mais poderosas da Terra, começa uma peregrinação para a Montanha Sagrada, o lugar que lhes revelará o segredo. Uma peregrinação que os obrigará, por fim, a tornarem-se sábios e a matarem todos os seus monstros interiores. No fim, todo o segredo é revelado, e a máxima verdade que um filme pode ter, nos é oferecida. Um filme que facilmente veria de novo.

Festival do Rio: 28/09/2006

-O Céu de Suely de Karim Ainouz

A: A história foi boa? Não. B: Relacionou-se com os personagens de alguma maneira? Não. C: Ganhou alguma informação nova, viu alguma coisa diferente? Não. D: Deleitou-se com alguma imagem bela e poética que não fosse um clichê já usado em oitenta mil outros filmes? Não. E: O que te levou a ver o filme afinal? Altas recomendações, minha completa ingenuidade quanto a elas.

Estética da pobreza, e que pobreza! Pobreza de história, de conteúdo, de imagens. Um voyeurismo barato para uma classe-média que não sabe que pode muito bem escutá-las ou vivenciá-las a qualquer esquina, de uma forma muito mais pessoal, caso este seja o interesse.

Curtas vistos por ai:

-Alguma coisa Assim de Esmir Filho

Bom, boa fotografia, boa construção de personagens. Serve pra passar o tempo.

-O Caderno Rosa de Lori Lamby de Sung Sfai

Pensamento recorrente durante a sessão: “Bizarro!”. Sério, ter uma atriz de uns 50, ou 60 anos, interpretando uma garota de 8 anos, com uma voz estilo Castelo-Ratim-Bum, realmente causa um profundo estranhamento.

terça-feira, setembro 26, 2006

Festival do Rio:25/09/2006

-Deita Comigo (Lie with me) de Clement Virgo

Filme bem definido em seu alvo: sexo. Buscando mostrar o contato entre uma mulher que nunca teve uma relação que não fosse sexual e o homem que busca por algo mais, por quem ela se apaixona. Ponto de interesse: a vida a partir dos olhos dela. Todas as cenas de sexo são sutilmente gravadas, a aparência dos atores é aproveitada aos extremos, tudo é muito bem fotografado. Porém, apesar de conseguirem fugir de clichês baratos (com exceção as relações de família que o são ao máximo), há pouquíssimo desenvolvimento dos personagens, e a relação entre os dois acaba por ser também um pouco banal. Fora do âmbito sexual não há nada que nos permita nos interessar pelos dois, o que poderia deixar o filme muito mais forte.

-100 Escovadas Antes de Dormir (Melissa P.) de Luca Guadagnino

Como fazer um filme bom? Não seguir o livro de como fazer um filme de sucesso, o que o diretor que adaptou o diário dessa garota italiana, fez. Tudo segue a risca os mandamentos de como fazer um filme: garota tem de passar desafio para compreender melhor a vida e se relacionar melhor com a mãe; enquanto tem uma mentora na avó, que lhe dá lições de vida, e um admirador bonzinho com quem ela fica no final, o autista que desenha. Fontes me dizem que o livro não é tão banal!

-Tv Junkie de Michael Cain e Matt Radecki

A história de Rick Kirkham é interessante, a idéia de gravar tudo durante o percurso de sua vida, é ainda melhor. Porém, durante todo o filme há a impressão de que muito não está sendo mostrado, que tudo é revelado a partir da decisão de fazer uma propaganda anti-drogas. Temos um homem casado e com filhos, que ama sua família, e é destruído pelo vício, para depois com a ajuda desse amor pela família, encontrar a salvação e nela se manter, apesar de ser assombrado pela realidade. Outros momentos da vida, mais simples e pessoais, que obviamente alguém como ele iria gravar, não são mostrados. Mesmo assim, o filme não deixa de ser interessante, e sua sutil trilha sonora ajuda muito em se relacionar com as imagens.

domingo, setembro 24, 2006

Festival do Rio: 24/09/2006

-O Grito das Formigas (Shaere Zo-bale-Há) de Mohsen Makhmalbaf (2006)

A maratona oficialmente começa do topo, com mais um excelente filme de Mohsen Makmalbaf, cujo último filme, “Sexo e Filosofia”, foi um dos melhores do festival de 2005.

Em “O Grito das Formigas”, Makmalbaf continua sua fase internacional, abrangendo tópicos muito mais amplos. Neste explora a condição humana através de um casal que viaja pela Índia em busca de um propósito, discutindo a fé. A relação dos dois, e a ambição de cada um, serve para explorar através de belas imagens poéticas esse tema. Como dois opostos, a mulher sempre está encantada com tudo, enquanto o homem sempre cai perante a realidade. Ela busca um propósito no mundo, uma fé alheia em que possa acreditar e que a possa sustentar. Ele vê a realidade e deposita toda a sua fé nela. Uma citação de Goddard em Nouvelle Vague facilmente resume esse aspecto do filme: “Homens são solitários, enquanto mulheres são apaixonadas”. (Se alguém souber de onde ele tirou isso, por favor diga!) Pois, a mulher neste filme sempre esta apaixonada por sua fé, e enquanto esta nela se encontra, é correspondida. Já o homem sempre está apaixonado por ela, que nele não deposita a mesma fé, então encontra-se sempre solitário. Sob essas duas visões, somos levados numa viagem por um país de vida desesperada, que mesmo sendo horrível como realidade, não deixa de proporcionar belas imagens. E os momentos se multiplicam com os diferentes personagens que encontram pelo caminho: o homem que pára o trem com os olhos, o taxista e sua relação com o mosquito, a prostituta com seus deuses, o homem vaca, o homem perfeito, o alemão que a tudo explica. Esteticamente perfeito, poético com direção definida, dificilmente a ser superado neste festival.

http://en.wikipedia.org/wiki/Mohsen_Makhmalbaf

http://www.makhmalbaf.com

[Sexo e Filosofia – http://www.imdb.com/title/tt0478260/]

-Sonhos e Desejos de Marcelo Santiago

Banal, óbvio, com personagens mal construídos, enquadramentos baratos, com uma brincadeira com as cores sem muita razão. Foi mais interessante terem trocado os rolos durante a sessão, que esta em si, pois ofereceram coca e pipoca grátis. Mel Lisboa tem um lindo pescoço, além do resto, é claro.

Festival do Rio: 23/09/2006

-Cine que Pensa 3 (Cinema em Transe) [Getúlio Vargas]

Cheguei atrasado e perdi Fireworks de Kenneth Anger.

Filmes de Nilson Primitivo: Uma coletânea de montagens baratas com entediantes narrações pequeno-burguesas (como diria o bom comunista que eu não sou). Uma grande perda de tempo, que pelo menos me pareceu divertida para quem fez.

O filme do Lennon e da Yoko é também um tédio inútil.

Porém, Uma Canção de Amor de Jean Genet, faz valer a sessão! É uma bela construção poética de contato sexual, em que tudo se encaixa. Música, imagem, movimento.

- Um Chant d’Amour de Jean Genet - http://www.imdb.com/title/tt0043084/

Ps.: Prometo comentários mais profundos nos próximos dias!

Festival do Rio: Minha Programação

Decidi detalhar por aqui minha maratona no Festival do Rio.

Pretendo comentar todos os filmes de alguma forma, mesmo que reduzida.

Estarei catando na multidão de opções, o que tiver inclinação mais poética e aceito sugestões!

24 (domingo)

(12h) O Grito das Formigas [EB1]

(15h) Sonhos e Desejos [P1]

25 (segunda)

(14:45) Deita Comigo [EU1]

(16:30) 100 Escovadas antes de Dormir [PAN]

(19:30) TV Junkie [P2]

26 (terça)

(14:30/19:30) Caindo de Amor [P2]

(16:30) O Inocente [Caixa]

27 (quarta)

(14:30/19:30) A Montanha Sagrada [P2]

(16:15) Homem-Filme [EB3}

28 (quinta)

(15h) O Céu de Suely [P1]

(15:15/19:45) Jade Warrior [EU2]

29 (sexta)

(14h) Sedução da Carne [Caixa]

(16:30) Um Rosto na Noite [Caixa]

(19h) Santo contra a Invasão dos Marcianos [MAM]

30 (sábado)

(12:25) Paris, Eu te Amo [EB1]

(14:45) Container [EB3]

(16:30) El Laberinto del fauno [SL]

(17:00) Na Cama [EU1]

(19h) Babel [PAN}

1 (domingo)

(12:30) Todos os Dias Antes do Amanhã [EU1]

(14:45) A Vida Secreta das Pessoas Felizes [EU1]

2 (segunda)

(12h) Coração, Batendo no Escuro [EB1]

3 (terça)

(17h) Destricted [P2]

(19h) A Fonte da Vida [Roxy]

(21:30) Efectus Secundarius [SL]

4 (quarta)

(14:45/19:15) Madeinusa [EU1]

(17h/22h) The Host [P2]

(19h) A Educação das Fadas [SL]

(21:30) Red Road [SL]

5 (quinta)

(14:30) Fando y Lis [P2]

(17h) Os Anjos Exterminadores [P2}

(19h) Marcello [JF]